Amizades diferentes

Nunca vi muito sentido na nossa relação.

Ele: um ano mais velho, faculdade, cidade grande.

Eu: colegial, ano do vestibular, muitas ideias, diversão.

Não falávamos de coisas interessantes para as outras pessoas, mas conversar com ele me fazia especialmente bem. Ele gostava de ouvir minhas histórias, minhas ideias, era meu amigo, mesmo que não soubesse quase nada sobre mim. Já tinha o visto, uma vez, em um show, foi de relance e rápido.
Não acho que existia atração, sempre foi amizade, mesmo que diferente, mesmo que não houvessem desabafos e companheirismo. Ele falava quando estava mal e sabia que não teria de responder o porquê e contar sobre toda a sua vida, sabia que eu me preocuparia e seria só isso, e eu falaria como sempre falava demais.

Histórias divertidas, engraçadas, idiotas, inacreditáveis, bobas – ele as ouvia, ele gostava de ouvi-las, ria e ia quando tinha de ir.
Vez ou outra, eu me lembrava dele, via situações das quais ele iria rir, acho que eu o fazia bem.

Mas agora ele se foi, ele não aparece mais, sumiu. Sinto saudades, mas vejo que ele está bem e fico feliz por isso, por ter ajudado quando ele precisou, mesmo assim, sem querer, mesmo assim sem saber. E espero que um dia ele volte, que ele continue bem, que ele também tenha várias situações divertidas e que se um dia eu precisar, ele esteja por aí, para contá-las para mim.

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