Eu e a ansiedade, aqui e agora

A Depressão me paralisa, estagna minha vida.

Apesar de não encontrá-la há um bom tempo, não sinto-me à vontade para falar completamente no passado: hóspedes indesejados tendem a retornar. A ansiedade quando acompanhava a Depressão era mais gentil, trazia apenas o medo e ousava acelerar minha cabeça, sentimentos e pensamentos, em giros incontáveis.

Agora que vem pelas próprias pernas, traz tudo que pode e bate cada dia mais forte, decidida no intuito de me jogar no chão. Parece que, sem saber, entrei em um ringue de vale tudo. Quando ela chegou, não me lembro quando – sei que nas duas últimas semanas, com certeza, ela veio de mala e cuia – havia medo e agressividade. Hoje, fico facilmente confusa, assustada, perdida e dolorida. Ela consegue bloquear os meus pensamentos, e eu sinto uma enorme dificuldade de me entender, de formular os raciocínios mais simples.

Antes eram crises, hoje são picos, estou em um real nível de ansiedade há mais de vinte e quatro horas. E a sensação é enjaular em mim uma fera. Nos picos de ansiedade, eu fico selvagem: agressiva, assustada, medrosa, irracional. É como se de repente, colocassem uma pessoa GG em uma roupa PP. Há uma necessidade de ebulição, erupção, como se eu precisasse transbordar, mas não sei pra onde ou como. Movimente-se, tente relaxar, converse sobre o que você está sentindo… Como?! Eu tenho um gás de maratonista por dentro e medo de sair de casa, quero relaxar e sou agressiva comigo mesma. Não sei o que ou quem eu seria se surtasse, se a “fera” sair.

Sei que quando a ansiedade baixa e o cansaço me acerta como aquelas ondas que batem com força nas pedras, eu pareço uma bonequinha russa, com minha consciência encarcerada. Meus pensamentos e sentimentos estão lá, e agora estão tão, tão distantes, porque cada parte do meu corpo verdadeiramente dói. A dor é física, como se eu estivesse em uma luta real, esforçando-me para conter alguém três vezes mais forte que eu.

E dentro do que de repente é uma loucura e depois é dor física, está quem eu sou: minha criatividade e minhas vontades aprisionadas por mim mesma.

Esse é meu melhor relato. Admito, minha única tentativa. Porque agora, entre os picos de ansiedade, fico jogada ao tédio, à sensação de total e completo vazio. Como se eu estivesse juntando o que sobrou na erupção de um vulcão.

Até que o próximo venha. Porque infelizmente, eu sei que virá e não sei como vai ser e o medo torna-se permanente.


Photo credit: maclauren70 via Visualhunt / CC BY-NC-SA

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