o meu 2015 (sobre evolução)

(Antes de ler, saiba que escrevo sobre a minha experiência com a doença. Compartilho minha vivência buscando auxiliar pessoas a compreender e lidar melhor com a Depressão, portanto, nada aqui é simplesmente aplicável a outros casos da doença. Todo indivíduo é único e a sua depressão também.)

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Escolhi essa imagem como capa para o meu perfil no Facebook porque assim que vi (infelizmente, não lembro mais onde foi) eu me identifiquei. Muita, muita, muiiiita coisa mudou para mim em 2015: desde o meu jeito de pensar até os meus cabelos. Não foram apenas mudanças, foi muita evolução, eu cresci muito neste ano que já está acabando. Então, literalmente, se você me conheceu no ano passado e não me acompanhou durante esse ano, você não me conhece mais.

Sou uma pessoa nova e eu espero que para melhor e levo uma vida nova, que eu considero melhor. Eu levo comigo o que me faz bem e também aquilo e aqueles que querem seguir juntos, nada vai contra vontade.

2015 foi um ano difícil.

Eu nunca havia lidado com a morte de alguém próximo, eu nunca havia perdido alguém assim tão de repente, e com tão pouca idade. O falecimento de um grande amigo de apenas 18 anos foi um baque, uma rasteira e o gatilho para a depressão. Aconteceu no dia em que eu entrei de férias do trabalho e estávamos com viagem marcada, eu e meu namorado. Não consegui ir às despedidas. Não consegui sofrer o luto. Não conseguia aceitar. Não conseguia acreditar que Deus é amor se ele havia feito isso. Eu desmoronei.

Eu sentia que nada tinha sentido, não havia ideia de futuro, nem sabia se eu ia mesmo ter futuro. Eu preferia não ter. Nunca me fiz de tão forte como para lidar com isso. A saudade, a falta, o arrependimento de não ter passado mais tempo com ele.

Eu tinha certeza que precisava de ajuda.

Estava morando em Belo Horizonte, me adaptando à cidade grande, à saudade de casa e a vida mega-super corrida do trabalho e faculdade e vida social em três cidades diferentes. Eu vivia na estrada. Me alimentava mal, dormia pouco, parei de sonhar, passei a viver no automático: ia para o trabalho porque tinha que ir, ia para a faculdade porque tinha que ir, ria das piadas que todo mundo ria.

Comecei com a terapia e para muita gente foi aí que eu desmoronei, mas foi ali que eu me vi e soube que eu tinha chance ainda.

Voltei para casa, deixei a faculdade e a república.

Deixei o trabalho e passei a ficar em casa.

Tive meu luto.

Orei, pedi perdão, compreendi que o mais importante foi a dádiva de ter conhecido e convivido com o meu amigo. Alguém que sempre me trouxe alegria. E que em dezoito anos ele viveu de verdade, ele amou, se divertiu e doou sua alma aos milhares de amigos e seguidores que teve, que cada sorriso dele nas milhares de fotos que ele tirou era sincero e verdadeiro e que Deus me concedeu a alegria de fazer parte da história dele e permitiu que ele mudasse a minha. E mesmo que as pessoas não estejam aqui, fisicamente, sempre estarão em nossas memórias e corações. E no amor que dedicaram à nós.

Hoje eu choro de gratidão, saudade e amor.

2015 tornou-se o ano da minha vida, o ano em que eu aprendi a viver, amar, e ser feliz.

A depressão trouxe muitas dificuldades, e sempre foi agravada pela minha ansiedade, mas ambas me trouxeram conhecimento: aprendizado para lidar com o stress, com a ansiedade, com o medo, com as outras pessoas. Compreensão do que acontecia comigo, dos meus sentimentos e pensamentos para que eu pudesse traduzir e ajudar àqueles que me amam e estão próximos, mas não sabem bem por onde começar.

A depressão veio como um fardo, mas tudo tem o sentido que nós atribuímos, e eu transformei meu fardo em um presente. Fiz da depressão: reflexão, meditação, autoconhecimento. Mergulhei fundo nela e me encontrei, me descobri e me conheci melhor. Saber mais de mim, saber sobre mim, transformou tudo. Hoje eu penso diferente sobre mim e sobre o mundo, sobre as outras pessoas e sobre a vida em geral.

A depressão veio como uma fera para me atacar, me assustar, mas eu a olhei bem no fundo de seus olhos e tentei compreender, entender, aprender, deixei de temer e passei a domá-lá. Hoje essa fera é minha montaria.

Sei que posso viver com menos, percebi que ser “bem sucedido” é realmente diferente para cada um. Meu namorado gosta de carros, gosta de dirigir e eu não tenho pretensão alguma de me tornar motorista no momento. “Mas e a sua independência?” Ela está em depender de um carro? Pra mim isso não é o mais importante, não é ai que está a minha felicidade e eu sei disso. Se a de outras pessoas está eu fico contente que elas consigam ser aprovadas nos exames e comprar seus veículos. Não é porque eu não quero que os outros não podem querer também.

A depressão me levou para perto de Deus.

Voltei a orar, mas não fiz ou faço nada apenas por fazer ou porque a minha religião manda em primeiro lugar eu vou atrás da minha espiritualidade, o contato com Deus é pessoal e cada um sabe como se sente bem: tem gente que reza, tem gente que conversa, tem gente que faz os dois. O importante é que faça sentido e você consiga se encontrar nisso. Eu sou católica, mas não me envergonho ou considero errado em momento algum dizer que muitas coisas eu ainda estou descobrindo como lidar porque a religião vê e acredita em certas coisas de maneira diferente do que eu vejo e acredito, e não penso que os seguidores de uma religião devem seguir o que é dito sem questionamentos, não quero ser uma fanática ou uma alienada. Se eu tenho meus próprios pensamentos preciso saber como me sinto bem, como me sinto em paz com Deus porque quem irá viver desse ou daquele jeito sou eu, eu lidarei com as consequências e se um dia for arcar com o peso das minhas escolhas perante à Ele, eu estarei sozinha nessa, então são minhas as escolhas, a todo tempo.

Eu me sinto bem melhor quanto à doença, mas existem sim as recaídas e elas são mais comuns do que eu gostaria e são difíceis de lidar, mas também exigem humildade para aprender e vontade para enfrentar.

Acredito que 2015 foi o ano em que eu descobri mais do que a força que eu tenho para lutar contra tudo que veio, e sim a humildade para aceitar e aprender com isso. Não é apenas superar, é viver, compreender e levar o que possa haver de bom nesses momentos para a frente.

evolucao

E assim, buscar um 2016 melhor, um hoje melhor, um amanhã melhor. Viver um agora ainda melhor.

Claro, ainda é tentar e conseguir; é levantar e acreditar para colocar em prática; é orar e ter paciência, crer no que é melhor para mim e seguir um dia após o outro. Nada nem ninguém melhora de um dia para o outro, precisamos nos adaptar a nós mesmos e as nossas novidades, às nossas melhorias contínuas também. O importante é permitir-se e acreditar sem desistir…

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