Por que escrevo sobre Depressão?

Escrevo “regularmente” para o meu blog desde 2009 e meus textos mais lidos são sobre os piores assuntos: Depressão e suicídio. Eu não soube, aina não sei, como me sentir ao ver as estatísticas do Blog: mais de 1500 acessos nos textos sobre esses temas. Enquanto em temas comuns e minhas crônicas jamais alcançam mil.

Em primeiro lugar, sou de um tipo raro de pessoa que se expressa melhor escrevendo, e nem sempre isso é bom. Eu sempre me descrevo assim, como alguém que precisa escrever, precisa externar, mas eu precisava mesmo me expor assim?

Não encontrei alguém com coragem para me dizer que estou me promovendo com o meu pseudo-sofrimento, que pessoas que sentem essa dor de verdade não são vistas sentadas em mesas de bar rindo e conversando, e que, pelo amor de Deus, eu não tenho depressão, sou tão debochada, sempre feliz.

Meu discurso sobre a minha má fase não vai ajudar ninguém e não passa de uma desculpa por eu ter dado errado na vida.

Sim, eu sei que tem gente que pensa isso, e pessoas com as quais eu convivo diariamente.

E também sei que é preciso coragem para me dizer isso, porque a agressão em palavras pode tornar-se física muito facilmente, e olha que eu não sou de bater nos outros, ao menos até hoje, nunca fiz isso.

Sempre escrevi sobre mim. Independente do assunto, um blog pessoal tem uma grande carga, parte, porcentagem de quem escreve. Considero isso inevitável e por isso classificamos como blog pessoal.

Já escrevi de mim em crônicas, personagens fictícios, já contei mais da minha vida aqui do que em conversas pessoais com amigas, pequenos detalhes estão por todos os textos. Cada vez que escrevo é como se me fragmentasse, e alguns pequenos farelos se apegam às palavras.

Escrever sobre a Depressão me ajuda.

Me ajudou na terapia, me ajuda a entender o que eu sinto e penso, me ajuda a tornar crível para os outros o que se passa dentro de mim. É como uma carta aberta à mim mesma e àqueles que convivem comigo.

Quando me sinto melhor, – o que não diz respeito à esta noite – acho importante continuar escrevendo porque eu sinto que faz diferença para os outros e me ajuda a me manter nos trilhos, a permanecer sã. Se entre 1500 pessoas que leram meus textos, uma pessoa encontrou ali algum apoio, sinto-me contente por isso. Realizada, eu me sinto realizada. Para que a minha dor não se torne a dor do outro.

As recaídas vem e são mais intensas do que o fundo do poço em que já estive, afinal: quanto mais alto, maior a queda. 

Eu escrevo sobre a Depressão vivenciando-a, como uma sobrevivente que permanece em zona de guerra: para os outros é uma pessoa vencedora e felizarda por ter sobrevivido ao pior; mas por dentro continua lutando dia a dia para seguir em frente.

Quando a pior fase passou percebi que o Blog me ajudou, escrever me ajudou e acabou indo além: ajudou outras pessoas. Eu não imaginava alcançar os outros dessa maneira. Não esperava o apoio que recebi de conhecidos, os contatos de pessoas que também sofrem e eu nunca imaginei. Por isso eu escrevo sobre a Depressão.

Para que seja como um abraço.

Que alcance a todos e abrace.

Que transforme em palavras o buraco negro que te suga o peito,

que te ajude a entender o que fez com que o outro te fugisse pelos dedos.

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