Queremos ser produtivos demais?

Será que eu consigo fazer tudo? Será que eu consigo fazer não pirar?

Isso é pedir, querer demais?

Eu queria tanto a resposta para essas perguntas, eu gostaria de tê-las não como verdades absolutas, mas como pontos de partida. Toda jornada começa de algo e/ou de algum lugar, eu sei que quero começar a minha próxima jornada, estou pronta para isso, mas não sei por onde começar.

Sou do tipo de pessoa que jamais viajaria assim, de repente, só colocando roupas na mochila e comprando passagens de última hora. Na verdade, nem consigo viajar pra casa da minha mãe só com uma mochila pra um fim de semana. Ter respostas, traçar planos, planejar caminhos faz diferença para mim. Isso tem importância, eu significo esses momentos – até demais talvez.

E fazer tudo também.

Eu amo listas, e amo riscá-las. Gosto de fazer, gosto de concluir, gosto de produzir.

Não fazer tudo, está começando a ter relevância. E me incomoda.

Quando comecei esse texto, pensava sobre estar sempre atrasada e terminei questionando minha compulsão por produtividade. Então, refiz tudo, para explicar pra gente – pra mim mesma e para você – como é louco, estranho e completamente possível que eu/nós sempre desejo/desejamos sempre fazer mais. “Fazer o dobro de tarefas na metade do tempo”, “otimizar o dia”, “fazer mais com menos”, “dobre sua produtividade”, “como sair da procrastinação e começar a fazer”.

Eu li sobre tudo isso. Eu ainda leio.

Há tempos me interesso (e até já escrevi sobre) aplicativos, textos, blogs com dicas de organização e produtividade. Mas aí, pensando e escrevendo aqui, percebi o quanto isso não é legal. Sério, buscar organizar a vida é legal, querer fazer, querer tentar fazer também – inclusive, sigo comprometida nisso – mas será mesmo que precisamos produzir o dobro na metade do tempo?

Uma coisa é clara, transparente e nítida: estamos em uma era onde tudo é potencializado, queremos levar tudo e todas as coisas à capacidade máxima. Queremos todas as tecnologias digitais (máquinas, computadores, celulares etc) operando ao máximo; e para acompanhar isso, queremos pessoas-máquinas também. Mas sinto em dizer, se ainda não ficou claro para você que eu não sou o meu smartphone. E, inclusive os smartphones são feitos para durar cada vez menos, porque eles tem que ir ao máximo e acabar (para consumirmos um novo), mas nós somos feitos para durar anos e anos – com que qualidade?

Jamais serei contra fazer o seu melhor, mas há dias em que o nosso melhor é conseguir sair da cama. Há momentos em que a lista de tarefas tem que esperar, porque meu Deus, olha como a minha cachorra tá fofinha hoje e quer passear! Uma voltinha vai sair do meu planejamento, mas cara, essa é a vida! Não são os imprevistos, mas o presente, o agora, o que está acontecendo. Incrivelmente, a maior parte das coisas que são produtivas podem ser feitas em diversos momentos do dia, ou da noite – principalmente quando sabemos das nossas prioridades e urgências. Então, estamos tentando nos transformar em máquinas ou só estamos acompanhando o fluxo?

Ainda penso sobre isso, sem conclusões. As listas continuam, mas o agora vem sempre no topo.

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